Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”.
Caio Fernando de Abreu
Porque tem gente que não sabe o tamanho que ocupa dentro de nós, não sabe o vazio e as palavras caladas que ficaram, e que o tempo as vezes foi o único que tirou todas as possibilidades dessas palavras serem ditas, e quando você se afasta, me leva pra longe de mim também, e tudo isso me faz pensar, quem sou eu sem você? mas talvez eu esqueça o que tenho pra te falar, de verdade, talvez eu esqueça. Minha memória anda fraca, e já não sinto mais algo tão forte que suscite a ânsia das palavras que antes existiam dentro de mim.
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